A JUDICIALIZAÇÃO DAS REFORMAS PREVIDENCIÁRIAS NO STF: AUTOCONTENÇÃO JUDICIAL E CAUTELA COM O ORÇAMENTO PÚBLICO

Autores

  • Flavia Danielle Santiago Lima Advocacia-Geral da União
  • Tassiana Moura de Oliveira Universidade Federal de Pernambuco

DOI:

https://doi.org/10.25109/2525-328X.v.16.n.04.2017.825

Palavras-chave:

Seguridade Social. Controle Abstrato. Previdência Social.

Resumo

O presente trabalho procura responder à seguinte questão de pesquisa: qual o papel do STF na conformação da política pública previdenciária através das ações em controle abstrato de constitucionalidade? O direito social à previdência social tem status de direito fundamental na Constituição Federal de 1988 e configura uma prestação onerosa ao Estado. Os Poderes Legislativo e Executivo periodicamente modificam as regras de previdência com o objetivo de conter os gastos. Como instância contramajoritária, o Poder Judiciário tem o dever de proteger os direitos sociais, impedindo que as decisões tomadas pelos outros poderes retrocedam (ou extingam) direitos conquistados na Carta de 1988. O objetivo do trabalho é saber se o STF (como órgão de cúpula do Judiciário) cumpre esse papel no que se refere à Previdência Social. Para tanto, foi realizada uma análise sobre as Ações Diretas de Inconstitucionalidade propostas contra as Emendas Constitucionais 20/1998 e 41/2003, a fim de compreender como o STF responde (se responde) à judicialização das reformas previdenciárias.

Biografia do Autor

Flavia Danielle Santiago Lima, Advocacia-Geral da União

Doutorado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco, Brasil(2013).Professora da Universidade Católica de Pernambuco, Brasil.

Tassiana Moura de Oliveira, Universidade Federal de Pernambuco

Doutoranda em Ciência Política (UFPE).Mestre em Direito (UNICAP).

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Publicado

2017-11-24 — Atualizado em 2017-11-24

Como Citar

LIMA, F. D. S.; OLIVEIRA, T. M. de. A JUDICIALIZAÇÃO DAS REFORMAS PREVIDENCIÁRIAS NO STF: AUTOCONTENÇÃO JUDICIAL E CAUTELA COM O ORÇAMENTO PÚBLICO. REVISTA DA AGU, [S. l.], v. 16, n. 04, 2017. DOI: 10.25109/2525-328X.v.16.n.04.2017.825. Disponível em: https://revistaagu.agu.gov.br/index.php/AGU/article/view/825. Acesso em: 3 abr. 2025.

Edição

Seção

Artigos