O IMPACTO DAS VALORAÇÕES IMPLÍCITAS NA FUNDAMENTAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS: ESTUDO DE CASO DA POSIÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA A RESPEITO DA PRETENSÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS MORAIS SOFRIDOS POR PRESIDIÁRIOS
DOI:
https://doi.org/10.25109/2525-328X.v.16.n.01.2017.813Palavras-chave:
Danos Morais. Direitos Fundamentais. Presidiários. Condições Inconstitucionais de Custódia. Decisão Judicial. Fundamentação. Estigmatização.Resumo
O Superior Tribunal de Justiça pacificou sua jurisprudência no sentido de negar compensação dos danos morais a presidiário custodiado em situação degradante, apesar de reconhecer ocorrência de violação de direitos humanos em tais condições. Intenta o presente trabalho realizar estudo de caso, analisando os argumentos aplicados e as conclusões adotadas, de modo a testá-los em termos de consistência e coerência. O foco do trabalho não se volta à tentativa de apresentar a resposta mais adequada à questão; objetiva-se comprovar ou não a hipótese de que a resistência do Tribunal à concessão da reparação pecuniária aos presidiários pode estar amparada não em abordagens jurídicas estruturadas, mas no juízo de reprovação que advém implicitamente da esfera moral, este a incidir não sobre a figura do causador do dano que se encontra sob análise judicial (o Estado), mas sobre o próprio lesado, que apenas por isso tem sua pretensão descaracterizada – embora haja grande esforço para a apresentação de justificativas distintas que serviriam para disfarçar a influência predominante do estigma penal.
Referências
SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais: uma teoria geral dos direitos fundamentais na perspectiva constitucional. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 12ª edição, rev., atual. e ampl., 2015, pp. 61-2
SCHOPENHAUER, Arthur. Como vencer um debate sem precisar ter razão em 38 estratagemas (dialética erística). Rio de Janeiro: Topbooks, 2003, introdução, notas e comentários de Olavo de Carvalho, tradução de Daniela Caldas e Olavo de Carvalho, p. 144
SCHOPENHAUER, Arthur. A arte de ter razão – exposta em 38 estratagemas. São Paulo: Martins Fontes, 3ª edição, 3ª tiragem, 2014, pp. 78-9
MORTARI, Cezar A. Introdução à lógica. São Paulo: Unesp, 2001, pp. 16-22
SCHWAB, Gustav. As mais belas histórias da Antiguidade Clássica – os mitos da Grécia e de Roma. São Paulo: Paz e Terra, 6º edição, vol. 1, tradução de Luís Krausz, 2001, pp. 251-2
RODRÍGUEZ, Víctor Gabriel. Argumentação jurídica: técnicas de persuasão e lógica informal. São Paulo: Martins Fontes, 4ª edição rev. e ampl., 2005, pp. 195-6
PERELMAN, Chaïm; OLBRECHTS-TYTECA, Lucie. Tratado da argumentação – a nova retórica. São Paulo: Martins Fontes, 2ª edição, tradução de Maria Ermantina de Almeida Prado Galvão, 2005, p. 43.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: o nascimento da prisão. Petrópolis: Editora Vozes, 21ª edição, tradução de Raquel Ramalhete, 1999, pp. 197-8
HOLMES JR., Oliver Wendell. The path of the Law. 10 Harvard Law Review 457, 1897
JUNIOR, Osvaldo Canela. O orçamento e a ‘reserva do possível’: dimensionamento no controle judicial de políticas públicas. In: GRINOVER, Ada Pellegrini; Watanabe, Kazuo (orgs.). O controle jurisdicional de políticas públicas. Rio de Janeiro: Forense, 2011, pp. 225-236, p. 225
BUCCI, Maria Paula Dallari (org.). O conceito de política pública em direito. In: Políticas públicas. Reflexões sobre o conceito jurídico. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 39
FROTA, Pablo Malheiros da Cunha. Responsabilidade por danos, imputação e nexo de causalidade. Curitiba: Juruá, 2014
COUTINHO, Diogo R. O direito nas políticas sociais brasileiras: um estudo sobre o programa Bolsa Família. In: SCHAPIRO, Mario G.; TRUBEK, David M. (org.). Direito e Desenvolvimento: um diálogo entre os Brics. São Paulo: Saraiva; Direito GV, 2012, p. 73-122 (p. 96)
SGARBOSSA, Luís Fernando. Críticas à teoria dos custos dos direitos: volume 1, reserva do possível. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor, 2010, pp. 133-141 e 215-6
FACHIN, Melina Girardi; FACHIN, Luiz Edson. Um Ensaio sobre Dignidade da Pessoa Humana nas Relações Jurídicas Interprivadas. In: COSTA, José Augusto Fontoura; ANDRADE, José Maria Arruda de; MATSUO, Alexandra Mery Hansen. (Orgs.). Direito: Teoria e Experiência - Estudos em Homenagem a Eros Roberto Grau. São Paulo: Malheiros Editores, 2013, t. 1, p. 684-700
FLORES, Joaquín Herrera. A (re)invenção dos direitos humanos. Florianópolis: Fundação Boiteux, tradução de Carlos Roberto Diogo Garcia, Antônio Henrique Graciano Suxberger e Jefferson Aparecido Dias, 2009
WALTON, Douglas N. Informal logic: a handbook for critical argumentation. Cambridge: Cambridge University Press, 1989, pp. 4-5
CHESTERTON, G. K. São Tomás de Aquino e São Francisco de Assis. Rio de Janeiro: Ediouro, tradução de Adail Ubirajara Sobral e Maria Stela Gonçalves, 2003, pp. 267-9
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2018 REVISTA DA AGU

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Autores que publicam nesta Revista concordam com os seguintes termos:
- os autores mantêm os direitos autorais e concedem à Revista da AGU o direito de primeira publicação;
- os autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não exclusiva da versão do trabalho publicada nesta Revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta Revista.