O IMPACTO DAS VALORAÇÕES IMPLÍCITAS NA FUNDAMENTAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS: ESTUDO DE CASO DA POSIÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA A RESPEITO DA PRETENSÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS MORAIS SOFRIDOS POR PRESIDIÁRIOS

Autores

  • Fábio Luis Furrier Centro Universitário de Brasília

DOI:

https://doi.org/10.25109/2525-328X.v.16.n.01.2017.813

Palavras-chave:

Danos Morais. Direitos Fundamentais. Presidiários. Condições Inconstitucionais de Custódia. Decisão Judicial. Fundamentação. Estigmatização.

Resumo

O Superior Tribunal de Justiça pacificou sua jurisprudência no sentido de negar compensação dos danos morais a presidiário custodiado em situação degradante, apesar de reconhecer ocorrência de violação de direitos humanos em tais condições. Intenta o presente trabalho realizar estudo de caso, analisando os argumentos aplicados e as conclusões adotadas, de modo a testá-los em termos de consistência e coerência. O foco do trabalho não se volta à tentativa de apresentar a resposta mais adequada à questão; objetiva-se comprovar ou não a hipótese de que a resistência do Tribunal à concessão da reparação pecuniária aos presidiários pode estar amparada não em abordagens jurídicas estruturadas, mas no juízo de reprovação que advém implicitamente da esfera moral, este a incidir não sobre a figura do causador do dano que se encontra sob análise judicial (o Estado), mas sobre o próprio lesado, que apenas por isso tem sua pretensão descaracterizada – embora haja grande esforço para a apresentação de justificativas distintas que serviriam para disfarçar a influência predominante do estigma penal. 

Biografia do Autor

Fábio Luis Furrier, Centro Universitário de Brasília

Mestrando em Direito e Políticas Públicas do UNICeub - Centro Universitário de Brasília. Assessor de Ministro do Supremo Tribunal Federal.

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Publicado

2017-04-07 — Atualizado em 2017-04-07

Como Citar

FURRIER, F. L. O IMPACTO DAS VALORAÇÕES IMPLÍCITAS NA FUNDAMENTAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS: ESTUDO DE CASO DA POSIÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA A RESPEITO DA PRETENSÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS MORAIS SOFRIDOS POR PRESIDIÁRIOS. REVISTA DA AGU, [S. l.], v. 16, n. 01, 2017. DOI: 10.25109/2525-328X.v.16.n.01.2017.813. Disponível em: https://revistaagu.agu.gov.br/index.php/AGU/article/view/813. Acesso em: 3 abr. 2025.

Edição

Seção

Artigos