A BIOPOLÍTICA EM MICHEL FOUCAULT E A SELETIVIDADE DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS

Autores

  • Marcela Andrade Duarte Faculdade de Direito do Sul de Minas
  • Rafael Lazzarotto Simioni Faculdade de Direito do Sul de Minas

DOI:

https://doi.org/10.25109/2525-328X.v.18.n.2.2019.2217

Resumo

O presente artigo tem como objetivo discutir o conceito de biopolítica em Michel Foucault e problematizar o controle excessivo sobre os corpos e as populações das sociedades contemporâneas. Para tanto, pretendemos analisar a transformação no modo de organizar o poder desde a teoria clássica da soberania até se chegar a biopolítica exercida nos últimos séculos. Na sequência, analisaremos o racismo como mecanismo fundamental de poder e como consequência direta do exercício da biopolítica, capaz de dividir internamente as populações em grupos em que, de alguma maneira, o Estado deve “fazer viver” ou “deixar morrer”. Por fim, discutiremos, a partir do conceito de “ralé”, como as estratégias, controles e intervenções estatais têm refletido na sociedade brasileira, em especial, na saúde dessa camada miserável. Para tanto, a pesquisa será desenvolvida a partir de uma metodologia analítica, com a convocação do conceito de biopolítica de Michel Foucault e, ainda, da pesquisa empírica realizada por Jessé Souza na obra “Ralé brasileira: quem é e como vive”. Como resultado, verifica-se que a biopolítica é uma forma não só de tolerar desigualdade e discriminação, mas, sobretudo, de permitir uma espécie de seletividade nos direitos fundamentais de grupos mais vulneráveis.

Biografia do Autor

Marcela Andrade Duarte, Faculdade de Direito do Sul de Minas

Mestranda em Constitucionalismo e Democracia pela Faculdade de Direito do Sul de Minas – FDSM, com bolsa CAPES. Graduada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC/MG. 

Rafael Lazzarotto Simioni, Faculdade de Direito do Sul de Minas

Pós-Doutor em Teoria e Filosofia do Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Doutor em Direito Público pela Unisinos. Mestre em Direito pela UCS. Professor do Programa de Pós-Graduação em Direito da FDSM e do Programa de Pós-Graduação em Bioética da Univás. Pesquisador-Líder do Grupo de Pesquisa Margens do Direito (PPGD/FDSM).

Referências

AGAMBEN, Giorgio. Homo Sacer. El poder soberano y La nuda vida. Valencia: Pre-textos,1998.

BRASIL, Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário, 2005. Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/plano_nacional_saude_sistema_penitenciario_2ed.pdf.Acesso em: 4 mar. 2018.

CASTELO BRANCO, G. Atitude-limite e relações de poder: uma interpretação sobre o estatuto da liberdade em Michel Foucault. Revista Verve n. 13, SP, NU-SOL/PUC-SP. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/verve/article/download/5205/3738. Acesso em: 10 fev. 2018

CAVALLARO, James L.; BREWER, Stephanie E. O papel da litigância para a justiça social no sistema interamericano. Revista Internacional de Direitos Humanos. Ano 5. Número 8. São Paulo. Junho 2008, p. 88-99.

COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS. CIDH condena a morte de quase uma centena de pessoas em prisões do Brasil. Disponível em: http://www.oas.org/pt/cidh/prensa/notas/2017/002.asp.Acesso em: 3 mar. 2018.

COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS. Resolução 11/2013.Medida Cautelar nº 367-13. Assunto: Pessoas Privadas de Liberdade no “Complexo Penitenciário de Pedrinhas”, Brasil. 16 de Dezembro de 2013. Disponível em: https://www.oas.org/es/cidh/decisiones/pdf/MC367-13-pt.pdf.Acesso em: 3 mar. 2018.

COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS. Resolução 14/2013.Medida Cautelar nº 8-13. Assunto: Pessoas Privadas de Liberdade no “Presídio Central de Porto Alegre”, Brasil. 30 de Dezembro de 2013. Disponível em: <http://www.ajuris.org.br/sitenovo/wp-content/uploads/2014/01/Medida-Cautelar-Pres%C3%ADdio-Central-30-12-2013.pdf>. Acesso em: 3. mar. 2018.

FBSP – Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Publicado em janeiro de 2017. Disponível em: http://www.forumseguranca.org.br/wpcontent/uploads/2017/01/Anuario_Site_27-01-2017-RETIFICADO.pdf. Acesso em: 22 fev. 2018.

FOUCAULT, Michel. Em defesa da sociedade: Curso no Collège de France (1975-1976), (trad. de Maria Ermantina Galvão). São Paulo: Martins Fontes, 2002.

__________. Ética, sexualidade, política: Ditos e escritos. Vol. V, 2. ed. Tradução de Elisa Monteiro e Inês Autran Dourado Barbosa. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006.

__________. História da Sexualidade. v. I - A Vontade de Saber. 13. ed. Rio de

Janeiro, 1999.

__________.Vigiar e Punir. 3.ed. Tradução de Raquel Ramalhete. Petrópolis: Vozes, 1987.

IBGE. Síntese de indicadores sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira: 2016 / IBGE, Coordenação de População e Indicadores Sociais. - Rio de Janeiro : IBGE, 2016 146 p. - (Estudos e pesquisas. Informação demográfica e socioeconômica, ISSN 1516-3296;n. 36. Disponível em https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv98965.pdf Acesso em: 20 fev. 2018.

INFOPEN. Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias. Publicado em junho-2016. Disponível em: http://www.justica.gov.br/news/ha-726-712-pessoas-presas-no-brasil/relatorio_2016_junho.pdf. Acesso em: 20 fev. 2018.

SOUZA, Jessé. Ralé brasileira: quem é e como vive. Belo Horizonte: UFMG, 2009.

Downloads

Publicado

2019-06-28 — Atualizado em 2019-06-28

Como Citar

ANDRADE DUARTE, M. .; LAZZAROTTO SIMIONI, R. . A BIOPOLÍTICA EM MICHEL FOUCAULT E A SELETIVIDADE DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS. REVISTA DA AGU, [S. l.], v. 18, n. 2, 2019. DOI: 10.25109/2525-328X.v.18.n.2.2019.2217. Disponível em: https://revistaagu.agu.gov.br/index.php/AGU/article/view/2217. Acesso em: 3 abr. 2025.

Edição

Seção

Artigos