O PRINCÍPIO DA BOA-FÉ NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E SUA REPERCUSSÃO NA INVALIDAÇÃO ADMINISTRATIVA

Autores

  • Márcio Luís Dutra de Souza Advocacia-Geral da União - AGU

DOI:

https://doi.org/10.25109/2525-328X.v.11.n.32.2012.119

Palavras-chave:

Legalidade. Estado Democrático de Direito. Boafé. Invalidação administrativa. Confiança.

Resumo

Este artigo versa sobre o estudo acerca da aplicação do principio da boa-fé na Administração Pública, no tocante a repercussão deste princípio no controle dos atos administrativos.  O presente trabalho se inicia a partir da análise do principio da legalidade sob o enfoque do Estado Democrático de Direito. Em seguida, ingressou-se no exame do principio da boa-fé, com considerações sobre sua origem,  distinção entre os aspectos objetivo e subjetivo, além de discorrer  sobre sua vinculação com o  principio da confiança.  Após o exame do seu conteúdo, sustentou-se o seu emprego na função administrativa, precisamente nos vínculos firmados entre o Poder Público e o administrado, com referência as fontes normativas no âmbito do Direito Administrativo. Defendeu-se os limites impostos à Administração em anular atos administrativos ampliativos de direitos, quando violem deveres inerentes da boa-fé, tais como a confiança, cooperação, transparência e lealdade. Em sede de conclusão, afirma-se que a administração tem o dever de proceder de boa-fé em  suas relações com os particulares, assegurando a segurança jurídica quanto aos propósitos das ações administrativas por ele encetadas.

Biografia do Autor

Márcio Luís Dutra de Souza, Advocacia-Geral da União - AGU

Advogado da União. Especialista em Direito Constitucional pelo Instituto Brasiliense de Direito Público. Especialista em Direito Público pela UnB. Pós-graduando em Direito Econômico e Internacional pela Universidade Estadual de Londrina.

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Publicado

2012-06-30 — Atualizado em 2012-06-30

Como Citar

SOUZA, M. L. D. de. O PRINCÍPIO DA BOA-FÉ NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E SUA REPERCUSSÃO NA INVALIDAÇÃO ADMINISTRATIVA. REVISTA DA AGU, [S. l.], v. 11, n. 32, 2012. DOI: 10.25109/2525-328X.v.11.n.32.2012.119. Disponível em: https://revistaagu.agu.gov.br/index.php/AGU/article/view/119. Acesso em: 6 abr. 2025.

Edição

Seção

Artigos