Dispensa e inexigibilidade nas contratações públicas para inovação: limites, potencialidades e desafios à luz das leis nº 14.133/2021 e nº 13.303/2016

Autores

DOI:

https://doi.org/10.25109/2525-328X.v.25.n.02.2026.3736

Palavras-chave:

Public procurement., Waiver and non-requirement of bidding., Innovation., Public governance., Risk management., Administrative efficiency., Entrepreneurial State.

Resumo

O presente artigo analisa o tratamento jurídico conferido às hipóteses de dispensa e inexigibilidade de licitação voltadas à inovação, à luz das Leis nº 14.133/2021 e nº 13.303/2016, situando-as no contexto de transformação da racionalidade administrativa brasileira. Parte-se do reconhecimento de que a inovação constitui hoje um dever constitucional do Estado, resultante da conjugação dos arts. 37, 170 e 219-B da Constituição Federal, e que as contratações públicas representam instrumentos estratégicos de promoção do desenvolvimento científico e tecnológico. O estudo utiliza abordagem qualitativa, de caráter analítico e descritivo, fundamentada em pesquisa bibliográfica, documental e normativa, complementada por evidências empíricas do Tribunal de Contas da União e da Controladoria-Geral da União. Demonstra-se que as hipóteses de contratação direta previstas nos arts. 74 e 75 da Lei nº 14.133/2021 e no art. 29, §3º, VII, da Lei nº 13.303/2016 não configuram exceções arbitrárias à licitação, mas mecanismos legítimos de fomento à inovação, condicionados a governança robusta, motivação técnica e gestão de riscos compatível com o grau de incerteza do objeto. Defendemos que a nova legislação consolida uma legalidade de resultados, na qual o controle público se desloca do rito formal para a substância das decisões administrativas, exigindo das instituições públicas transparência, integridade e accountability. Conclui-se que a inovação nas contratações públicas, quando orientada por critérios de governança, deixa de ser risco e passa a ser expressão da boa administração e da eficiência constitucionalmente exigida, inaugurando um modelo de Estado Empreendedor sob controle.

Biografia do Autor

José Osório do Nascimento Neto, Universidade Federal de Goiás

Pós-doutorado em Direito Político e Econômico pela Universidade Mackenzie. Doutor e mestre em Direito Econômico e Socioambiental pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), com estágio de doutoramento na Universidad Carlos III de Madrid (UC3M, Espanha). Especialista em Direito Contemporâneo com ênfase em Direito Público pela Universidade Candido Mendes (UCAM). Bacharel em Direito pela PUCPR. Professor colaborador de mestrado e doutorado em Direito e Políticas Públicas da Universidade Federal de Goiás (UFG). Professor titular da Faculdade Estácio. Coordenador da pós-graduação em Direito Administrativo Profissional da Escola da Magistratura Federal (ESMAFE). Coordenador da Escola Superior da Magistratura do Estado de Goiás (ESMEG/ASMEGO). Secretário-geral da Comissão de Direito Cooperativo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/GO).

Joneval Junio Chaveiro, Universidade Federal de Goiás

Mestrando em Direito da Administração e Políticas Públicas pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Especialista em Direito Público e em Direito Civil e Processo Civil pela Faculdade Casa Branca (FACAB) e em Direito Tributário pela Faculdade Capital Federal (FECAF) e em Licitações e Contratos Administrativos. Bacharel em Direito pelo Instituto Aphonsiano de Ensino Superior (IAESUP). Professor de Direito Administrativo e Constitucional. Servidor Público na Escola Superior da Defensoria Pública do Estado de Goiás (ESDP/GO).

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Publicado

2026-06-30

Como Citar

DO NASCIMENTO NETO, J. O.; CHAVEIRO, J. J. Dispensa e inexigibilidade nas contratações públicas para inovação: limites, potencialidades e desafios à luz das leis nº 14.133/2021 e nº 13.303/2016. REVISTA DA AGU, [S. l.], v. 25, n. 02, 2026. DOI: 10.25109/2525-328X.v.25.n.02.2026.3736. Disponível em: https://revistaagu.agu.gov.br/index.php/AGU/article/view/3736. Acesso em: 13 jul. 2026.

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Artigos